E agora fast fashion?

Precisamos quebrar esse ciclo atual e começar um novo, mais ético e mais justo para todos.

Em seu discurso no Copenhagen Fashion Summit 2016 Livia Firth, fundadora do Eco-Age, afirma que nada mudará se o modelo de negócio da indústria do fast fashion continuar como está. Isso é, produzindo enormes quantidades de roupas em um prazo incrivelmente curto e a um custo extremamente baixo, continuando a nos encorajar a participar desse ciclo de consumo desenfreado que é totalmente insustentável.

It is time for us to be active citizens, to be active consumers, we can’t demand change unless we stop this cycle of thoughtless consumption that the fast fashion brands are dictated to us”, diz Firth.

E não podemos discordar. A indústria do fast fashion nos viciou. Entramos nesse ciclo de compras sem fim acreditando que mais uma peça de roupa é igual a felicidade/satisfação/status/poder/sedução/_______. Essa moda rápida e descartável não é o que moda significa. Moda é expressão, arte, é modo de ser/agir.

O fast fashion, “moda rápida”, surgiu no final do século XX, a partir de uma nova estratégia de produção no cenário da moda, levando as tendências das passarelas para os consumidores de forma rápida e a preços acessíveis. O sistema para funcionar bem requer inúmeras coleções, com grande variedade de modelos e peças novas o tempo todo,  retirando das araras o que não vende e repondo o que vende. O lema é: mais é sempre mais. Mais roupas, mais consumo, mais vendas, mais lucro.

Com novidades a todo momento, as marcas fast fashion são desenhadas para nos fazer sentir que estamos sempre “fora da moda”. Esqueça primavera/verão – outono/inverno, pois,  atualmente somos bombardeados com mais de 50 “micro estações” a cada ano. O objetivo é nos incentivar a comprar mais peças possíveis e rapidamente. Mas, se por acaso não compramos o suficiente, as marcas não se preocupam, pois as peças dificilmente duram mais que duas lavagens. São feitas com essa intenção já que o sistema depende do desejo dos consumidores de comprar roupas novas para usar. A lógica do use e descarte.

Mas o que há de errado nesse modelo? Por um lado podemos desfilar a todo momento peças novas a preços baratíssimos, mas por outro, se analisarmos toda a cadeia de produção, alguém está pagando caro por isso. Recursos naturais estão sendo usados irresponsavelmente,  como se fossem infinitos, além do uso de pesticidas e outras substâncias tóxicas, das péssimas condições de trabalho, muitas análogas à escravidão e aumento da produção do lixo têxtil. Não é difícil perceber que esse modelo é realmente insustentável, correto?

A boa notícia é que nós, consumidores, estamos cada vez mais informados e conscientes a respeito desse lado menos glamoroso do fast fashion e da indústria da moda. Nos últimos anos, notícias sobre os impactos causados por essa indústria ganharam mais destaque e estamos mais exigentes, obrigando as marcas a serem transparentes e a tomarem atitudes a respeito. Não estamos falando de criar coleções “sustentáveis” ou “eco” que algumas lançaram e que não passam de um “marketing verde”, mas, sim, de adotar ações efetivas no quesito ambiental, social e cultural em toda a cadeia de produção.

Em paralelo, vemos novas marcas e iniciativas surgindo com o propósito de oferecer uma alternativa para o consumo de moda atual. Coleções mínimas e produção mais lenta, respeitando o tempo, o meio ambiente e a mão de obra. Marcas que vão além do simples fato de vender, mas sim, que pensam em todo o ciclo, da produção até o descarte. Há também bons exemplos de projetos que incentivam a troca e a transformação de roupas. É um novo modelo surgindo e, isso é incrivelmente animador!!!

Como disse Livia Firth, precisamos quebrar esse ciclo atual e começar um novo, mais ético e mais justo para todos.

Veja seu discurso aqui (em inglês).

Não esqueça de ver as marcas e projetos que já estão fazendo a diferença, passa lá no site SDF 🙂


Referências

http://www.huffingtonpost.com/shannon-whitehead/5-truths-the-fast-fashion_b_5690575.htm

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