Tecnologia, Inovação e Moda

A tecnologia está revolucionando a maneira como usamos e nos relacionamos com a roupa e muitos negócios estão buscando unir inovação, moda e sustentabilidade para encontrar soluções para as questões ambientais enfrentadas pela indústria atualmente.

A tecnologia está revolucionando a maneira como usamos e nos relacionamos com a roupa. Tecidos inteligentes, werables (tecnologias vestíveis) e impressão 3D são algumas das inovações já possíveis no universo da moda.

Mas muito além de focar apenas na super tecnologia, muitos negócios estão  buscando unir inovação, moda e sustentabilidade para encontrar soluções para as questões ambientais enfrentadas pela indústria atualmente.

Já falamos no Blog sobre algumas matérias-primas inovadoras que estão mudando o cenário têxtil e da moda.

E para aprendermos mais sobre inovação e a indústria têxtil, o SDF conversou com a Liliana Rubio, engenheira química, Mestre em Gestão e Execução de Projetos de Inovação e fundadora de PMO Polymer Business Intelligence, escritório de projetos de inovação e do Ecossistema BioSmartTex para o desenvolvimento de projetos desde a criação até o produto final na Moda, que nos conta mais sobre tecidos inteligentes, biomimética e outros conceitos que estão moldando o futuro da moda e outros setores. 

1.   Poderia começar contando um pouco sobre você e seu trabalho?

Sou Innovation Builder, fundadora do PMO Polymer Business Intelligence um Bureau de projetos de inovação sustentável e Economia Circular, também fundadora do Ecossistema BioSmartTex para o desenvolvimento de projetos desde a criação até o produto final na Moda, Saúde & Bem-Estar e Arquitetura.

Sou Engenheira Química de formação e Mestre em Gestão e Execução de Projetos de Inovação e MBA em Gestão de Negócios. Tenho 18 anos de experiência trabalhando com polímeros e desenvolvimento de novos negócios de inovação e especialista em tecidos funcionais e interativos.  Também sou palestrante e colunista internacional em diversas Universidades e principais Congressos na América Latina, EUA e Ásia.

Fui ganhadora do prêmio de inovação Clariant Extra Award sobre pigmentos e aditivos naturais para bi polímeros; recebi menção de honra por negócios inovadores no concurso internacional “Plastic Smog Emissions Closed Loopon” (bio composites from waste micro plastic particles (beads and fibers) e fui patrocinadora e finalista nos concursos “Acelera Brasil” e “SUSTEX na Tunísia” por projetos relativos a Moda sustentável e Inteligente “Smart-Textile”.

2.   Qual a missão dos seus projetos – PMO Polymer Business Intelligence e o Ecossistema Bio Smarttex?

O ecossistema BioSmarttex é um Movimento SMART (referencial contemporâneo orientado a incentivar e desenvolver iniciativas e projetos de alto valor com visão de futuro e qualidade de vida no mundo atual) orientado para a criação e execução ponta a ponta de iniciativas de inovação sustentável e economia circular através de tecidos inteligentes e inteligência wearable (tecnologias vestíveis),  visando soluções nas questões fundamentais do homem contemporâneo e das cidades inteligentes nas áreas de bem-estar, saúde e urbanismo.

O ecossistema BioSmarttex integra uma equipe multidisciplinar das áreas de tecnologia, comunicação, ciências sociais e negócios e desenvolveu três projetos cápsulas de inovação e sustentabilidade chamada de “A Pele do Futuro”.

1. Bem Estar & Saude: A DOR ,  A pele do Futuro

2. Urbanismo & Arquitetura: UTILITAS WALL,  A pele do futuro

3. Fashion, Sports, Entretenimento: IONS, A pele do futuro

3.   Para você como a tecnologia e a inovação colaboram para a construção de uma moda sustentável?

Na Moda sustentável as coleções têm de estar à medida do mundo contemporâneo. Consideramos integrar o desenho inovador e sustentável com tecidos que brilhantemente incorporam novas estruturas de fios, a nanotecnologia, a microencapsulação (é uma tecnologia que permite o revestimento fino de componentes ativos com décimas de mícron até 5000 mícrons numa matriz, estes componentes ativos vão migrando controladamente e gerando algum tipo de efeito tais como os efeitos fitoterapêuticos) e a microelectrónica (é um ramo da eletrônica, voltado à integração de circuitos eletrônicos, promovendo uma miniaturização dos componentes em escala microscópica).

É assim como identificamos grandes origens de visão tecnológica, inovadora e sustentável, por exemplo, no mundo esportivo, nos Jogos Olímpicos da Antiguidade  realizados em Olímpia, na Grécia, do século VIII A.C. ao século V D.C., os atletas competiam nus para ter um maior controle do corpo e atingir seu melhor desempenho, era a pele aquele sofisticado órgão que o permitia, e é a pele que inspirou a origem das fibras inteligentes e interativas e tecidos funcionais embasados no princípio de “O TECIDO NOSSA SEGUNDA PELE” o qual é vigente até nossos dias.

Mas foi no século XIX, onde o  Barão Pierre de Coubertin fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1894 com seu lema “CITIUS – ALTIUS-FORTIUS”, mas rápido, alto e forte, que se consegue consolidar o profundo impacto que a evolução dos tecidos tem tido no desenho e nos avanços tecnológicos fortemente voltados a atingir esse melhor desempenho de nossas funções corporais, físicas, mecânicas e químicas para o desenvolvimento de roupas mais sofisticadas.

A moda sustentável tem nome próprio “eficiência” e alta qualidade dentro de um marco de Economia Circular onde “menos é mais”.

4.   Qual o atual cenário sobre o tema – moda e tecnologia – no Brasil e na América Latina e quais são os principais desafios?

No dinâmico cenário atual, Inteligência e Interatividade são os valores de relevante influência que cimenta o futuro do mundo têxtil e moda, um dos mercados mais promissores no desenvolvimento científico atual, no Brasil, na América Latina e no Mundo.

Como nunca antes, o chamado “e- Têxtil” (termo internacional em inglês relativo a “Electronic textiles” que estão orientados a sistemas integrados dos tecidos com componentes eletrônicos como microcontroladores, sensores) inspira o umbral de uma revolução de materiais e tecnologias sem precedentes que modificará profundamente a forma como abordamos os desafios e megatendências da indústria têxtil e moda direcionando a um mercado inclusivo e interativo onde a funcionalidade e a sustentabilidade prevalecem.

O “e- Têxtil” é o ponto de interseção que incorpora o multidisciplinar e multi setorial em  diversas indústrias tais como a têxtil, cosmético, farmacêutica, saúde e plástico e integra brilhantemente a nanotecnologia com a microeletrônica.  É uma indústria que estatisticamente representa $3 bilhões de dólares com um crescimento anual estimado em 20%, e com um potencial inestimável de evolução nos próximos anos em importantes mercados como moda, arquitetura, saúde e esporte.

Este cenário inovador há fornecido um estoque inesgotável de ideias e soluções engenhosas durante décadas; “e- Têxtil” roupas inteligentes e interativas tem esse foco principal que é mimetizar e potencializar as funções naturais da pele humana, um campo revolucionário de inovação onde fatores como peso, forma, gerenciamento térmico, gerenciamento de umidade, proteção e saúde, e até estado psicológico são altamente relevantes e motivos de estudo.

O futuro das diversas aplicações da indústria “e- Têxtil” centra seus fundamentos nos pilares de conectividade e convergência, incorporando a megatendência Saúde & Bem-Estar, os princípios da Biomimética, os modelos de negócio relativos a customização e personificação,  o desenho eco têxtil, eco eficiente e sustentável. Tudo isso dentro de um cenário multissetorial e interconectado onde o mercado e consumo estão orientados a: Menor Tempo, Menor Esforço, Menor Movimento, o qual reflete em negócios lucrativos e sustentáveis.

O desafio criação, gestão e execução eficiente de ecossistemas voltados ao “e- Têxtil”.  Nossa Jornada no Bureau PMO Business Intelligence e nosso Ecossitema BIOSMARTTEX.

5.   Poderia contar um pouco sobre o conceito da Biomimética e a importância de se inspirar na natureza para construção de negócios e produtos sustentáveis?

Depois de 100 anos imersos na revolução industrial se percebe que o mundo construído não está isolado do mundo natural, o mundo está intimamente conectado ao mundo natural.

Novamente, 3.8 bilhões de anos de evolução dos processos naturais para a preservação das espécies e seu hábitat nos ensinam através da biomimética como administrar os negócios sustentavelmente.

A biomimética vai mais longe de produtos ou processos científicos e tecnológicos; ela é âncora na gestão do conhecimento e execução eficiente da inovação sustentável e do empreendedorismo criativo reconstrutivista e não estruturalista. É uma gestão com visão de futuro.

Grandes profissionais de todas as áreas coincidem que a biomimética ultrapassará a biologia molecular, consolidando-se “como a mais desafiadora e importante ciência biológica do século XXI”, alinhada com a preocupação energética e ambiental que garanta nossa sobrevivência, permeando numa cultura com foco na inteligência coletiva das redes de comunicação que incorporaram novas práticas de desenho de um eco desempenho, um Eco Business onde Smart is the new green com caráter multidimensional.

Fina observação de milhares de reações químicas, físicas e mecanismos das espécies naturais que estão interconectadas nas redes através de ciclos que nos conduzem a compreender de que a realidade é complexa e não fragmentada, que tudo é interdependente.

Um reconhecimento dos sistemas vivos, como fontes da “Inovação inspirada na vida”, e exemplo para a incorporação de modelos de criação do DNA, auto regeneração e auto regulação.  Várias empresas com foco no “para o consumidor e o planeta” estão validando o conceito da biomimética e métodos de produção de valor produtos e modelos de negócio sustentavelmente corretos.

A biomimética, o caminho de volta para a exploração das imensas fortalezas naturais, onde o êxito está em Aperfeiçoar, “Observar” e Executar. 

A biomimética é o pilar fundamental para as companhias e grupos de nosso programa de mentoring “Innovation Hunter Lab” no Bureau PMO Business Intelligence.

6.   Em um de seus textos disponíveis no site DressStyle você comenta que “Como nunca antes, moda e arquitetura são o ponto de intersecção entre a inteligência e interatividade; valores relevantes no mundo dinâmico da “Internet das Coisas” com grande potencial para o futuro”, poderia falar mais sobre o papel da moda nesse cenário inovador?

Atualmente no Bureau desenvolvemos o projeto UTILITAS WALL que integra moda e arquitetura dentro do marco do Ecossistema e Economia Circular que tem como objetivo uma proposta de design e alta tecnologia de tecidos funcionais, wearables e recuperáveis.

A funcionalidade, a semiótica, as artes, o desenho são novos referenciais para entendermos a dinâmica da vida e para buscarmos soluções de essência na nova ciência da complexidade onde diversas disciplinas como moda, arquitetura, tecnologia convergem em um sistema interconectado com implicações enormes na gestão da inovação e desenho estrutural.

7.   Qual o papel do consumidor nesse cenário de mudanças?

Nesse cenário super urbanizado e superconectado, por exemplo, no Brasil de acordo com o Instituto de Geografia e Estatística – IBGE 84% da população se concentra em áreas urbanas.  Os estilos de vida, preferências e demandas comportamentais e mercadológicas tornam evidente a urgência em enfrentar as questões relativas a cidades sustentáveis, e ações de estímulo a novos materiais e desenvolvimento tecnológico na indústria, gerando a chamada “Inovação de Valor” que envolve novas estratégias como a Estratégia de Oceano Azul, novas abordagens de marketing como é Modelo SIVA (solução, informação, valor, acesso), novos modelos de negócio como é Ecossistema e Economia Circular.

Nesse cenário TUDO tem de estar baseado com foco “Do consumidor” e não nas velhas práticas de desenvolver produtos e serviços com foco “No consumidor”.  Nesse sentido de interatividade e convergência tem uma megatendência que sinaliza a personificação como um dos pilares onde o consumidor passa de ser um usuário a ser aliado e ator da mudança. A Era das Metrópolis!

8.   O que espera para o futuro da moda?

A moda dentro da Era das Metrópolis e as mega tendências se prevê que seja prática, conveniente, convergente e multifuncional!

Liliana Rubio explica um pouco mais sobre o assunto nos vídeos abaixo, confira.

Smart Moda, Saude&BemEstar Smart arquitetura  

Para saber mais sobre o trabalho da Liliana Rubio confira seus textos na revista eletrônica Dress Style e acompanhe seus projetos no Facebook.

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