Trabalho manual e a valorização de técnicas artesanais na moda

O artesanato é útil, prático e concreto, significa fazer algo de fato. É uma atividade lenta, com habilidades que amadurecem com o tempo, que se desenvolve conforme o artesão pensa, reflete e testa os limites de sua atividade.

Um dos valores do movimento Slow Fashion é a valorização do trabalho manual e de técnicas artesanais e culturais. O artesanato é útil, prático e concreto, significa fazer algo de fato. É uma atividade lenta, com habilidades que amadurecem com o tempo, que se desenvolve conforme o artesão pensa, reflete e testa os limites de sua atividade.

Indo na contramão dos processos industriais e à produção em série, o trabalho artesanal valoriza o engajamento social e o compartilhamento de conhecimento, é reflexivo e produz objetos autênticos cheios de significado cultural. Por essas características têm um papel importante no desenvolvimento de práticas sustentáveis.

Na produção artesanal, quantidade e velocidade perdem espaço, cada artesão tem seu ritmo e capacidade de produção e, por isso, nos propõe um senso de moderação ao consumo.

Além disso, segundo Kate Fletcher e Lynda Grose no livro Moda e Sustentabilidade – Design para Mudança, o artesanato é político, “uma expressão de valores de produção, relações de poder, tomadas de decisão e pragmatismo. O artesanato pode sugerir que produzamos o suficiente para nosso consumo pessoal ou que produzamos como protesto contra, por exemplo as péssimas condições de trabalho dos operários nas fábricas de roupas e aos impactos negativos ambientais, porque o artesanato permite controlar mais de perto as condições de produção e a procedência do material”, afirmam.

Nos últimos anos vimos crescer o movimento de Do It Yourserf (Faça você mesmo), que tem em sua base a ideia de que qualquer pessoa pode construir, consertar e fabricar os mais diversos produtos e projetos. 

“A técnica prática surgida da experiência serve para influenciar uma agenda econômica e social que prefira qualidade à quantidade, a confecção ativa ao consumo passivo, a autonomia à dominação, e a rebelião à aceitação. Tais práticas podem ajudar os usuários a participar da moda em nível mais profundo do que como consumidores e a se conectar com os materiais, as habilidades e a linguagem necessários para a criação de objetos físicos e um admirável mundo novo de ideias sustentáveis” (Fletcher e Grose, 2011).

As atividades manuais incentivam a participação, autonomia e a experimentação, nos convidam a fazer com as mãos e a conhecer e valorizar as técnicas tradicionais e as culturas locais.

Referências

Livro Moda e Sustentabilidade – Design para Mudança, de Kate Fletcher e Lynda Grose

Hur, ES and Beverley, KJ (2013) The role of craft in a co-design system for sustainable fashion, disponível em: http://eprints.whiterose.ac.uk/81260/

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