Fashion Revolution Brasil lança primeira edição do Índice de Transparência da Moda no país

Para analisar em que medida vinte grandes marcas e varejistas de moda estão comunicando ao público sobre suas cadeias produtivas - e incentivar uma maior prestação de contas em relação aos impactos socioambientais do setor.

Acaba de ser lançado, em São Paulo, o relatório “Índice de Transparência da Moda Brasil”, corealizado
pelas equipes brasileira e global do movimento Fashion Revolution, para analisar em
que medida vinte grandes marcas e varejistas de moda estão comunicando ao público sobre
suas cadeias produtivas – e incentivar uma maior prestação de contas em relação aos impactos
socioambientais do setor.

A implementação e desenvolvimento da pesquisa foram feitos pela equipe do Fashion
Revolution Brasil, em parceria técnica com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da
Fundação Getulio Vargas (FGVces), e teve como base as informações disponibilizadas em
canais como sites e relatórios de responsabilidade social corporativa, ou de sustentabilidade; e
no questionário com quase 200 perguntas, enviado aos representantes das marcas, com o
objetivo de estimular um processo participativo.

A equipe compilou e avaliou a disponibilidade de informações oferecidas pelas empresas em
cinco categorias: “Políticas e Compromissos”, “Governança”, “Rastreabilidade”, “Conhecer,
Comunicar e Resolver” e “Tópicos em Destaque”. As seguintes marcas foram selecionadas
para a análise, de acordo com critérios de diversidade setorial, e representatividade no
segmento de atuação: Animale, Brooksfield, C&A, Cia. Marítima, Ellus, Farm, Havaianas,
Hering, John John, Le Lis Blanc Deux, Malwee, Marisa, Melissa, Moleca, Olympikus, Osklen,
Pernambucanas, Renner, Riachuelo e Zara.

Em relação aos resultados, a gestora do projeto e diretora educacional do Fashion Revolution
Brasil, Eloisa Artuso, explica que há ainda um longo caminho do setor rumo à transparência:
“As informações sobre as cadeias de fornecimento ficam frequentemente escondidas nos sites,
hospedadas em sites externos, em relatórios anuais de mais de 300 páginas ou simplesmente
não estão disponíveis. Como é possível tomar melhores decisões sobre o que compramos,
quando a informação é totalmente ausente ou apresentada de maneiras tão variadas e
difusas?”

Descobertas rápidas

Dentre as 20 grandes marcas e varejistas pesquisadas, oito foram consideradas não
transparentes, já que obtiveram pontuação final igual a 0%. Isso não significa,
necessariamente, que elas não tenham boas práticas e iniciativas, mas que, no momento da
pesquisa, não compartilhavam publicamente nenhuma informação sobre os temas
investigados.

O Índice de Transparência da Moda é um projeto iniciado em 2016 pelo Fashion Revolution
global, e teve a sua terceira edição publicada em abril de 2018, com a análise de 150 marcas
de moda internacionais – que obtiveram uma pontuação geral média de 21% (52 de 250 pontos
possíveis). No Índice brasileiro, a pontuação geral média foi 17%, ou 41 de 250 pontos
possíveis).

Quatro marcas que também foram analisadas pelo Índice global de 2017 – C&A, Casas
Pernambucanas, Renner e Zara – revelaram um crescimento médio de 38% em seus níveis de
transparência, de um ano para cá. Esse dado pode ser uma indicação de como o relatório
estimula, na prática, que as marcas publiquem mais informações socioambientais.

Algumas das conclusões observadas nos relatórios do Índice global, também se refletiram na
análise brasileira; entre elas, a maior visibilidade dada a valores e crenças das marcas, em
detrimento de ações e resultados concretos. Um exemplo disso é que as 12 respondentes
pontuaram em políticas relativas aos direitos humanos, o combate à discriminação e ao
trabalho forçado ou análogo a escravo e infantil, mas apenas sete pontuaram na seção de
rastreabilidade na cadeia de fornecimento.

Em relação a práticas de eficiência ambiental, somente duas marcas informam sobre políticas
quanto a emissões de carbono e redução no uso de energia, três revelam políticas sobre
proteção da biodiversidade, seis publicam políticas sobre o tratamento de efluentes, e seis
divulgam alguma política para o gerenciamento de resíduos têxteis e reciclagem.

A intenção é que o Índice alcance o maior número de downloads, através do link divulgado
abaixo, e torne-se uma ferramenta útil para todos, despertando um olhar crítico sobre a
transparência atual e a evolução das marcas ao longo do tempo. “Queremos enfatizar que o
leitor use as descobertas do Índice para refletir sobre as tendências gerais de transparência e
os padrões de divulgação de informações, em vez de se concentrar em qual marca pontuou
mais do que a outra”, finaliza Eloisa.

Aron Belinky, coordenador da equipe de pesquisas da FGVces que atuou no projeto, ressaltou
o potencial do relatório como catalisador de mudanças: “Esperamos que a primeira edição do
ITM Brasil encoraje as empresas locais a comunicar a forma como gerenciam os seus negócios
e os impactos de suas operações, e também a abrir o diálogo com seus públicos de interesse. Que iniciativas como essa sirvam de modelo e inspiração a outros setores da economia
brasileira, com desafios tão abrangentes quanto os da indústria da moda.”

O Índice de Transparência da Moda Brasil teve apoio institucional da Associação Brasileira do
Varejo Têxtil (Abvtex) e é uma iniciativa financiada globalmente pelo Instituto C&A. O projeto
está aberto para cofinanciamentos, desde que observadas as medidas necessárias para
garantir sua autonomia e neutralidade. O evento de lançamento contou com a presença de
Carry Somers, cofundadora do movimento Fashion Revolution, que estará no Brasil até o final
do dia 11 de outubro, conversando com a mídia sobre o projeto.

Baixe o relatório completo aqui.

Texto assessoria de imprensa Fashion Revolution

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